
continuação - confiança
Maria continuava, tentando estar calma, à espera que Teresa iniciasse a narrativa... será que falaria?...
Como que para a encorajar pousou nas mãos de Teresa que ainda seguravam as suas, um respeitador e suave beijo.
No rosto de Teresa esboçou-se um ligeiro sorriso... e... confiante... falou...
-Maria desde bem menina o meu grande sonho foi ser bailarina. Pela casa de meus Pais em vez de correr eu saltitava pequenos passos, sem o saber, claro, de dança...minha Mãe, de rigorosa educação mas de refinado gosto, cedo me arranjou uma professora de piano.
Eu gostava... mas... não era o que eu queria efectivamente... obediente que era fui aprendendo e fazendo os meus exames e quando me apercebi já dava os meus primeiros concertos....
mas minha mãe cedo percebeu que o meu rosto estava triste... algo me faltava... e não fôra minha mestre madamme Ivette... jamais teria dado os primeiros passos de dança...imagina querida Maria o que senti?
os ensinamentos, o trabalho na barra, a colocação das mãos- e soltando a minha mão estendeu a sua demonstrando a elegância dos suas longas e bonitas mãos, a delicadeza da posição dos seus dedos lindos e esguios...
apetecia-me falar... mas não queria interromper a sua narração pois a sua voz de comovida percebia-se que tão cedo não pararia ...
e na sua voz doce e quente Teresa continuoue falou dos seus primeiros passos, das suas primeiras sapatilhas... do seu primeiro espectáculo... do seu primeiro toutout clássico...
e levantando-se saiu da sala para voltar mostrando já bem velhinho o pequeno fato de bailarina...
Maria estava comovida, pois... como era possível guardar-se durante tantos anos sem que se rompesse uma peça tão frágil?...
percebendo a comoção de Maria, Teresa perguntou se, tinha sentido o chamamento da música e do ballet, porque não tinha seguido?
sorrindo tristemente, Maria disse que seus pais nunca lhe poderiam ter dado essa educação pois não eram pessoas de posses... tiveram sim que se cingir a um curso que, pudesse dar garantias de sobrevivência a sua filha.
Assim surgiu a Engenharia.
Maria era hoje uma respeitada e requisitada engenheira.
Teresa acariciou docemente o rostinho triste de Maria lembrando que se sua filha estivesse ainda com ela teria a sua idade.
Com verdadeira ternura e sentindo muita saudade de sua mãe abraçou fortemente Teresa.
-mais um pouco de chá? perguntou Teresa
-sim, por favor...
interromperam o tema para falar das flores, do seu grande amor às orquídeas, do seu perfume preferido... dos amores e desamores de cada uma...
com curiosidade Teresa perguntou: disse que estava noiva, certo? é para breve o casamento?
Maria fixou o seu olhar no esboço que se encontrava pendurado na parede e sem o desfitar e com o seu ar determinado respondeu baixinho
- nem sei se haverá casamento, pois o meu noivado foi uma ilusão.
Fernando mostrara-se um ser egoista, prepotente, ciumento (Maria era efectivamente uma linda mulher), não permitindo que ela tivesse o seu espaço...e Maria era demasiado livre para ser colocada num cerco ou numa redoma...
baixando a cabeça Teresa disse num ligeiro sussurro... eu amei tanto e tanto fui amada...
levantando em seguida a cabeça fixou o seu olhar no esboço onde se via um belíssimo rosto de homem...
continua...
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