quinta-feira, 20 de setembro de 2007

EU PENSAVA


A madrugada vai alta
o dia a iniciar
eu pensava em poesia
pensava que a dizias
e como seria bom
eu de ti a escutar
as pessoas que passavam
para o dia iniciar
lembraram que para mim
também ia começar
eu sentia tudo isto
tudo isto me dizia
que a beleza do amar
e a ternura do sentir
é sempre saber sorrir
e saber acreditar
acreditar na amizade
não duvidar do amor
agradecer o momento
e guardar no pensamento
sentir sempre gratidão
saber pedir o perdão
entregar a sua mão
e com ela o coração
agradece o teu sentir
acarinha-o com fervor
usa sempre de verdade
e trata sempre o amor
como a mais fina flor
sorri sempre à beleza,
sorri tanbém ao amor
que de belo é tão puro
como o aroma da flor
e sorrindo me voltei
e ainda ensonada
o meu dia iniciei
o pensamento voou
voou ...e eu deixei
e sorrindo uma vez mais
com ele me deliciei
e pensando em poesia
a ti eu a dediquei....
Beijo
Luisa

O ELIXIR DA JUVENTUDE


Encara os acontecimentos em paz e segue em frente de cabeça erguida......
viver é criar e inventar......
perfuma a vida... alegra o ambiente... espalha beleza...
irradia simpatia...
estende a tua mão... porque a vida é breve... como a flor......
ama com verdade... apaixona-te... primeiro por ti... depois pelos outros...
envolve-te em sentimentos......
ama as tuas palavras... e quanto mais simples... mais verdadeiras e mais encantadoras...
mostra o teu interior... a tua alegria... o teu sorriso...
apaixona-te por, e através das palavras...
sorri e ri... pois o riso é a distância mais curta para a felicidade e a saúde......
mergulha em ti... e encontrarás o teu Eu Superior......
confia... acredita... e nunca duvides ... não mintas... não invejes...acredita em ti... e ama...
ama sempre... perdoa com verdade...olha sempre para a frente com o coração iluminado......
a felicidade é um dom interior, dom da mente e do coração......
tu és o autor da tua vida... és importante... o mundo precisa de ti assim como tu precisas do mundo...... não guardes rancores... tem piedade dos que te fazem mal pois é sinalque estão doentes... e tu és caridosa para com quem está doente... ajuda na sua cura...... e sorri sempre pois o sorriso é tão importante e faz bem à alma...
tenta sempre entender as pessoas...o desejo da divindade em nós é que sejamos felizes... agradece o pouco que vais recebendo......
ama a vida... ama o amor...põe flores no teu coração... ilumina com muito sol o teu jardim interior......
só as pessoas que amam têm o rosto lindo... pois quem ama tem o brilho do amor nos olhos e a luz da felicidade no rosto......
quando te dizem vou... acredita... mas se por acaso não apareceram... há um motivo certamente e ele ser-te-á dito... e nunca duvides pois a dúvida corroi a alma......
que sempre existam flores... muitas flores...para encher de perfume e felicidade a estrada da tua existência......
acredita em ti... mas...... tudo o que fizeres fá-lo de coração puro e sem dúvidas e serás vista em toda a tua beleza e suavidade...ama... ama muito... com verdade... permite-te sentir o bater do teu coração...... quando desejas algo... acredita... a isso se chama fé...
Este texto foi inspirado em pensamentos de Lauro Trevisan, psicólogo,estudioso do poder da mente... conferencista... franciscano
Para vós com amor... e muita partilha...Beijo

SINTO


eu sinto...
tenho a impressã
que alguém me pega na mão
eu fecho os olhos... sorrio...
eu sinto e me arrepio...
de prazer e emoção
pois aquilo que eu sinto...
é como se na tua...
estivesse a minha mão...
e a ternura me invade
e aquela enorme vontade
de pular e de dançar...
de rir e cantarolar
bate... bate devagar
e as palavras saem soltas
com vontade de ajudar...
e com as minhas palavras...
eu rio... eu pulo... eu brinco...
eu sinto o ar perfumado
eu vejo o sol que é dourado
e me aquece com ternura
e me olha fascinado...
toda a maldade eu esqueço
eu não ligo aos tropeços
e peço com devoção
que a luz chegue e ilumine
aqueles que não se amam
que desconhecem a art
a arte de bem viver
a arte de muito amar...
a arte de não sofrer...
de mimLu

UM CLAREAR DIFERENTE


Cedo acordei... mas os melros preguiçaram e não os escutei... Uma amiga ligou... houvera acordado cedo também... moramos frente a frente e vira a minha janela já aberta ainda a manha se encontrava espreguiçando...banho rápido... fato treino... sapatilhas... e lá fomos direitas à Costa...o atravessar da ponte começou a ser um espectáculo delicioso de ser visto... silêncio... um carro de quando em vez...no rádio do carro da minha amiga ouvíamos Vangelis...nem uma nem outra dizíamos uma palavra... deixámos que o silêncio... a calma e a paz entrasse em nós...o tempo está farrusco mas quente e... já na praia tirando o fato de treino ao mar me dirigi.estava fria a água tive que ir de mergulho mas que carinhoso abraço ele me deu... e depois de umas braçadas senti o calor do seu amor por mim...preguiçosamente a minha amiga sentada apreciava o panorama. A praia era só nossa.... e recordando o tango do filme perfume de mulher (que amo) dancei de olhos fechados sem medos, sem receios, pois os seus fortes braços me protegiam... deitada no seu colo olhei o céu e o meu pensamento voou... e senti-me gaivota e como gaivota planei e como gaivota voei... vi o mar de cima... vi-me nele deitada tranquila... sentindo a força da Natureza...ao longe um barco... pensei na aeriene e nas suas pescarias... como deveria ser deliciosamente bom... pensei nessa amiguinha que tão espectacular se me revelou... pensei... na querida Silêncio. Di, queridos Andy e Jeargi, encantadora Moon. amada Al, queridíssima Niccinha , um grande senhor nova casa, euOsório, todos os meus amigos com quem diariamente estou. Querida Cidade Nua, e todos aqueles que por serem muitos (graças por isso) ´nao citei... não por esquecimento, sim para o texto não se tornar grande demais... todos estão no meu coração... e abraçada por aquele mar em todos pensei... por todos pedi... pois todos fazem já parte da minha vida...Pensei em ti também, junior... o meu pensamento voou para ti, esteve e está perto bem perto do teu pensar...... e agradeço o que tenho... muito ou pouco agradeço... e brinquei com ele... deixei que me salpicasse maroto que é... e eu salpiquei-o também... e a nós juntaram-se umas crianças e em grande alegria e algazarra brincámos e rebolámos na areia e nas ondas daquela imensidão de praia ... naquele mar que deitando a sua bela espuma alva... nos compreendia e correspondia...como foi bonito este meu início de um Domingo... igual a tantos outros... e já em casa... tive que passar para todos o meu sentir...encantado fui... encantada estou... e assim desejo continuar... calmamente indo e vindo como as ondas do meu mar... uma delas me trará algode ...bom ...certamente...http://www.youtube.com/watch?v=_hE4lvL4oYc
de mim para todos

NÃO TEREMOS O DIREITO AO SONHO?



Todos sonhamos, é certo... de uns lembramos de outros é como se tivessemsido varridos do nosso cérebro. No entanto todos sonhamos... e muitossonhamos acordados.Hoje foi um dia que necessitei do meu espaço, dos meus silêncios, do meu mare das minhas árvores... e por necessidade fui até eles... primeiro o mar...o meu amado mar que me separa e aproxima de... de tanta coisa boa emaravilhosa... de tantos sentires delicados e profundos...sentei-me bem pertinho dele... permiti que o seu aroma me entrasse nas narinas ... fecheios olhos e depois de sentir que tinha comigo a sua cumplicidade abri- os....... sorri e fixei a linha do horizonte e deixei tranquilamente entrar emmim as vibrações, os pensamentos. os chamamentos que sentia...sorri...novamente...... e uma pergunta se me colocou... não poderemos sonhar?... linknão teremos direito a isso? se sonhar nos faz bem... nos faz sentir vivos...... viver um sonho... viver um lindo sonho nem que seja por um dia?... e conscientes ... vivê-lo intensamente...não poderemos pensar em nós por um dia que seja?... viver a nossa felicidadecertos de uma decisão tomada?...viver um sonho que ficará guardado bem guardado nos nossos corações... semmedos... culpas... mas um sonho repleto de momentos que serão só nossos e sónossos ficarão... sem magoar, ferir...... muitos de nós não imaginam as nossas verdadeiras capacidades... pois temos sim e muitas......o desejo da felicidade está presente em todos... mas por vezes procura-se da maneira mais errada e inconsciente...desejar ser feliz nem que seja por um dia... sonho dos sonhos...eu quero esse sonho...do mais profundo de mim... do mais profundo do meu ser...

Bom dia meus amigos
Pouco passava das 7,30 de hoje quando, como habitualmente entrei no Café onde me delicio com um croissant torrado com queijo e compota. Afirmo-lhes que o fazem deliciosamente bem e que recomendo vivamente. As especialidades que nos são dadas escolher aos almoços são de muito requinte e grande variedade e tudo excepcionalmente bem confeccionado....... o ambiente propício ao relax e ao bem estar... e a arte de bem servir está patente em todos os que trabalham neste espaço ... calma e tranquilamente vou saboreando esta delícia ao mesmo tempo que tomo o meu galão especialmente (garanto-vos que jamais houvera tomado algum assim) feito pelo proprietário... não não vou dizer o segredo, mas que é algo de diferente podem crer que é.... e ... se naquele instante tivesse ali um bloco de notas teria registado alguns momentos interessantes...... ocupando uma das paredes do espaço encontram-se sempre em exposição deliciosos quadros dando ainda mais cor a um espaço já por si agradável... pois... já devem ter adivinhado... foi nesse mesmo café/galeria que tive a honra de fazer a minha primeira exposição...este espaço é bastante acolhedor e o tempo ali passado dá-nos a calma que necessitamos para mais um dia de trabalho... ao fundo da sala um jardim interior repleto de verdes dá-nos uma sensação de Natureza que nos revigora...... num belíssimo plasma um DVD de Diana Krall (o dono é fã incondicional) encanta-nos com a sua voz e ajuda a relaxar....... o ambiente é assim... convidativo e aquele pedaço de tempo ali passado dá-nos uma traquilidade que nos sabe bem...Tenho que também aqui distinguir a delicadeza, ternura, aliada a uma enorme simpatia da proprietária deste excelente espaço... uma Senhora com vários cursos e uma pintora conhecida e estimada ... seu filho e proprietário também... um excelente profisional, atento, delicado, exigente e dedicado a tudo o que faz... rabugento às vezes,(quando necessário) mas genuíno... notando-se nele o fino gosto em relação a um excelente funcionamento deste seu espaço...... quem ocupa as mesas respeita os silêncios dos outros... podemos ler um pouco... conversar com uma amiga... escrever algo... há quem tenha o seu portátil em cima da mesa e dedilhe qualquer coisa...... e por ser bastante perto do meu local de trabalho ali me permito passar os primeiros momentos dos meus dias que não podemos permitir sejam monótonos... há que procurar paz logo desde o início do nosso dia e que local mais encantador do que este?... sabem aquela pequena/grande diferença dos gritos dos empregados dos barulhos dos copos a cair e das chávenas a serem atiradas para os lava-louças? conseguem ouvir? ou então aquela frase que nos fere os tímpanos a horas tão matutinas: "uma sandes de fiambre e um galão" para a mesa 2? vá escutem comigo... lembram?... pois ali... não ouvem e todos são servidos...... na paz dos silêncios... dos nossos silêncios...nas tranquilidade dos nossos pensamentos...... dos nossos sentires...e sentindo a diferença sorrioe sorrindo pensei escrever sobre algo que também faz parte da minha vida... do meu dia-a-dia...... não, meus amigos jamais esqueceria de deixar o nome do meu espaço de eleição...
e ele é "O CAFÉ DEL&ARTE"

domingo, 26 de agosto de 2007

QUANDO O POETA ESCREVE


Quando o poeta escreve...
ele solta seu pensamento...
que sai livre... livremente...
sempre como passa o vento...
se ele ama com paixão...
e tem dor... no coração
suas palavras são soltas...
com toda a sua emoção...
ele mostra... a sua dôr...
não esconde o sofrimento...
pois saiu da sua alma...
todo o seu grande tormento...
ele pensa na alegria...
de sentir...
de sentir na sua mão..
a mão daquela que ama
com toda a sua paixão...
ele sorri de emoção...
fecha os olhos com ternura..
.ele quer rir... e cantar...
e a todos... poder gritar...
eu estou louco... sim...
mas é de muito amar..
.o poeta é assim mesmo
deixa sair as palavras...
e nelas voa ligeiroo
o seu próprio pensamento...
o poeta ama e vive
sofre e ama
sempre... em cada momento...
quando o poeta escreve...
tudo o mais desaparece
e vive p'ra poesia
e tanto a enaltece...
quando o poeta escreve
tudo o mais desaparece...

POEMA DE PALAVRAS


E hoje mais uma vez …
hoje… aqui e agora
em palavras eu pensei
em todas as que te dei
naquelas que ambicionei
e por um motivo ou outro
eu jamais as empreguei…
palavras que tanto amo
com quem brinco e desabafo
palavras bem apertadas
naquele doce e terno abraço…
palavras… sempre palavras
umas doces…outras salgadas…
e essas vêem do mar
quando seus braços
me apertam…
naquele abraço de amor…
como só ele sabe dar…
palavras que de mim saem
da alma e meu coração
palavras que amo juntar
com carinho e emoção
palavras que a mim pertencem
palavras que deixo sair
palavras que no fundo transmitem
com verdade o meu sentir
e com palavras me vou
e com as mesmas vos digo
que no beijo que aqui deixo
meu sentimento ficou…
e junto com elas eu vou…
palavras…as minhas…
o meu amor as juntou...
e convosco as deixou…
Palavras
Lu

O BAÚ DE SEGREDOS DE ISADORA


continuação... e final
Já à porta de casa, Isadora levantou bem alto a sua cabeça, endireitou os ombros, respirou fundo de olhos fechados e acariciando-me o rosto com a sua pequena mão depositou na minha testa um beijo.
Seriam umas 3 horas da manhã quando a vimos desaparecer após ter fechado com delicadeza a porta da rua.
Ficámos parados sem nada dizer, somente esperando... o quê não o sabíamos... mas o silêncio era total e as luzes que se abriram com a sua entrada em casa fecharam-se em paz e tranquilidade...sei que nada se passou...
sei que Isa a partir dessa noite abandonou o seu quarto... a sua cama... onde afinal nunca conseguira saber o que é um verdadeiro acto de amor e entrega total...o sorriso fechou-se, só mesmo o grande amor a seu filho lhe ia dando forças...a sua sogra a quem chamava de mãe era a sua grande confidente e sempre lhe deu muita força mas... ia-lhe pedindo que aguentasse... pois era passageiro, pensava a querida Senhora...continuámos sempre a juntarmo-nos ao final da tarde para o nosso café... ... aqueles olhos... agora baços... tentavam sorrir quando eu fazia as minhas macacadas...a dôr de Isa era a minha dôr...a sua vida resumia-se ao seu filho e ao grande amor â sua profissão...
certa noite... 3,30... eu dormia... sou acordada pelo toque do telefone. I
sadora chamava-me e a sua voz soou-me muito estranha...... não corri, voei...e quem me abriu a porta foi uma Isa de olhar fixo e parado... na sala do lado sentia-se João...
o pequeno Luis alheio, dormia tranquilamente...peguei numa mão gelada e levei-a para a sala sentando-a no sofá e segurando-lhe no rosto sem côr olhei-a nos olhos silenciosamente e assim ficámos conversando através dos nossos olhares...
Isadora sofria terrivelmente e nesse momento decidi que ela iria para minha casa para repousar um pouco...... meti umas roupas num saco de viagem dela e de Luis e dirigindo-me a João disse que Isadora precisava sair dali por dois ou tres dias...... e.... sem mesmo ter dado conta levei a maior bofetada de minha vida...
joão cobardemente e sem saber o que mais fazer levantou a sua mão deixando-a cair no meu rosto...... e olhando-o de alto a baixo fui buscar o meu afilhado e pegando na mão de Isa saímos sem que joão abrisse a boca uma vez sequer...
soube depois que João lhe dissera, após mais uma noite passada fora e noutra companhia que não a amava... nunca a amara... sómente admirara a fabulosa (palavras dele) mulher que Isadora sempre tinha sido.
Emudeci... pois perante isto não havia palavras e a minha revolta era tanta que decidi optar por me manter calada para não colocar mais lenha na fogueira...João apareceu ao final da tarde. Já Isadora houvera repousado e dormido.
O pequeno Luis alheio brincava deliciado por estar da casa da titia.Isadora apareceu tranquila dizendo a João que queria ir para casa pois precisava falar com ele. Luis ficou comigo. Radiante, claro......Isadora manteve sempre essa conversa com ela... e eu respeitei o seu silêncio...
o casamento de Isadora tinha acabado...
João tinha 15 dias para sair de casa...... e assim foi... saiu... e não voltou...a partir dessa data joão iniciou uma nova vida junto da que fora amiga de Isadora...
e por acaso João arranjou casa bem perto da que houvera sido a sua casa e agora era só de Isadora... coincidência... ?
mas aí viveram... e aí joão fechou os seus olhos não há muito tempo...
Isadora iniciou uma busca imensa de amor... de realização como mulher completa... magoou-se e magoou... usou e foi usada...nunca deixando de perder a sua dignidade de grande senhora...continuei sendo a sua confidente... continuei a sentir como em mim própria as dores de minha amiga Isa... continuei presente... e continuo...
e finalmente sem se prender a ninguém Isadora realizou-se plena e totalmente como mulher acreditando por fim que não era a mulher frígida e insensível que João lhe fizera crer naquela noite. ...
Isa sorri... Isa vive... o pequeno Luis é agora uma grande pessoa de sentimentos nobres, um ser humano de carácter, amante de sua Mãe e sentindo enorme orgulho nela......
Isa continua a amar o seu trabalho e a viver para ele....
Isa ama outras actividades paralelas que tem e que a continuam a realizar......
Isa... está só... mas acredita que ainda encontrará "aquela mão" que a levará a passear ao fim da tarde à beira mar...
o mar que Isa tanto ama...... o mar a quem Isa... permite que a abrace... a enrole... a escute... e a protege....
Foi precisamente no dia do nascimento da irmã de Luis que o coração de Isadora teve paz pois perdoou a traição. ...Para vós a vida de Isadora... amiga... Irmã... para toda a vida!
FIM

O BAÚ DE SEGREDOS DE ISADORA


continuação...
A partir daquele dia interminável e da noite angustiante para a minha querida amiga e para mim, pois sentia-me impotente para ajudar... a partir desse dia a vida de Isadora começou a ser a maior tormenta que ela alguma vez pensara...... nunca foi ouvida uma palavra menos correcta... nunca se viu expressão de dor no rosto lindo de minha amiga......
acontecia que o pequeno Luis era uma criança atenta...
Isadora não queria ainda tomar atitude nenhuma e estava calmamente tentando aguentar uma situação que se começou a repetir noites e noites a fio...João perdera por completo o respeito a sua casa e... as conquistas foram-se seguindo... e Isadora sofrendo...claro que todo o meu tempo disponível era para Isadora... Saía com ela... obrigava-a a ir a uma comprinha... enfim tantava fazê-la sorrir...mas Isadora estava só... terrivelmente só...aconteceu uma reunião em casa de Isadora...eu presente claro... e mais uns amigos comuns... faltava uma amiga que apareceu fazendo-se acompanhar de alguém que ninguém conhecia... um amigo de Lena, de áfrica. Belíssima figura de homem, poissuidor de uns lindos olhos negros e de enorme espressão de melancolia.
Olhando para ele sorri e disse tentando alegrar que ele era muito parecido com Omar Shariff (que quando novo a sua beleza era impressionante) sorrimos todos e iniciamos o jantar esmeradamente preparado por Isadora...
Francisco, assim se chamava o nosso novo amigo demonstrou desde o início ser uma pessoa impecável, de enorme delicadeza tratando todos com o respeito que classificam um cavalheiro...e sem nenhum motivo João começou a sentir insegurança pois Francisco enchia Isadora de atenções...
Francisco houvera percebido o sofrimento de Isa até porque ele acabara de sair de um casamento que o houvera marcado.... mas Isa só tinha olhos para o seu marido e Francisco nada queria além de se sentir acompanhado e no meio de amigos...
e... começámos a sair os tres... e... um dia eu decidi que iríamos ao cinema a seguir ao jantar...
lá nos dirigimos ao saudoso cinema Roma...entramos já com as luzes apagadas.
As apresentações... os documentários... e eis que começa o filme...1º. intervalo - saímos para tomar uma água e um café e quando regressávamos à sala...... mesmo de frente para nós vinha João de mão dada com uma "amiga" de Isa e minha, e visita de casa de Isadora...com uma magestosa calma Isadora continuou a caminhar e passando por o casal de apaixonados (eheh) disse um boa noite estranhamente tranquilo.
Francisco perguntou a Isa se ela queria ir embora ao que Isa respondeu que queria ver o filme até ao final...
João e a sua acompanhante já não entraram na sala.
Fomos ao Pub por sugestão de Isa, depois passámos pelo Hot Club e percebíamos que Isa receava entrar em casa.Calmamente fiz ver a Isadora que seria melhor irmos embora.Com um ar de uma infinita tristeza pela dupla traição, Isa concordou e... neste momento jurei que jamais abandonaria Isadora... que jamais permitiria que a magoassem mais... jurei a mim própria que Isadora ainda riria como antigamente...
continua...
















segunda-feira, 13 de agosto de 2007


continuação...
A festa foi linda.
A noiva feliz... e aqui aconteceu o normal em todos os casamentos...
Lua de mel em Nova York cidade amada pelos dois...
Fui ao aeroporto esperá-los e vi chegar uns noivos sorridentes, apaixonados e que me abraçaram enchendo-me logo ali de montes de sacos com os presentes que me tinham destinado... enchiam-me de mimos...
Isadora fez questão de preparar o jantar e não me deixaram sair sem tudo ouvir sem que visse os presentes que me tinham trazido... enfim... mais pareciam duas crianças...
Os sogros de Isadora aparecem para o café...... casal delicioso aqueles senhores.
Ele oficial do exército ela dona de casa... a simpatia emanava deles e tratavam-me com o mesmo carinho que tratavam a nova filha.
E o tempo começou a passar... e eu via Isadora diariamente pois não dispensávamos o que sempre tiveramos feito...
o café no final da tarde...
Ao fim de 2 anos Isadora comunica-me que vou ser madrina de um néné.
E fui e sou madrinha de um belo rapagão a quem quizeram por o meu nome no masculino.
E aqui o nome é real.
E o belo néné numa cerimónia simples foi baptizado de Luis.... e entre mimos... passeios... avós... eu própria, o pequeno Luis foi crescendo...
não recordo bem que idade teria o Luis (2 a 3 anitos)quando ao chegar a casa de Isadora para irmos fazer umas comprinhas para o meu afilhado verifiquei que naqueles olhos azuis uma luz se tinha fundido...tentei perguntar mas nada me foi dito...no dia seguinte não estive em Lisboa.
Saí em serviço (publicidade é assim mesmo) mas durante o dia e sempre que podia dava um alô a Isa e constactei preocupada que a sua voz não estava igual.
Embora estivesse no Porto regressei de avião pois algo se passava e eu sentia que Isa precisava de mim...
Fui a casa tomei um banho, telefonei a Isa que me atende sorridente.
Hummmmmmmmmm ali havia coisa...Apanhei um taxi e fui para casa de Isadora... o pequeno Luis recebeu a sua titi de braços abertos e já não me largou o pescoço perguntando "o que touxeste a mim titi?" e enquanto não lhe passei o pequeno carro para as mãos ele não me largou.
Estranhamente Isadora estava sorridente, mas a tal luzinha continuava fundida...
-o teu marido? perguntei...
-a trabalhar como ultimamente tem acontecido.
-???-mas vem jantar contigo?
pergunteie Isadora não aguentando abraçou-me e começou a chorar...... então, meus amigos o rapaz andava a fazer das suas...
deitamos o meu afilhado e calmamente nos sentamos nos deliciosos sofás da belíssima sala de Isadora...fazendo um sinal com a minha mão direita e tentando rir para que Isadora ficasse mais à vontade disse eu:
- vá... eu dou o dó, dou o tom e tu começas a cantar...Isadora deu uma enorme gargalhada e sem mesmo se ter dado conta o canto começou... e, meus amigos... que canto... aquilo não era canto era Bel Canto...
para começar Isadora já não tinha marido (na cama, claro) fazia dois meses...hummmm- cheira a esturro, não?
e no seguimento desta intimidade
Isadora nunca tinha sido amada como uma mulher o merece...
Constactei com profunda dor que João tinha transformado Isadora numa mulher sexualmente complexada e frustrada.
João era... e digo era pois já fez a última viagem, egoista, só pensava nele e quando Isadora tentava falar sobre o assunto ele desviava a conversa, quando deitados ela o tentava procurar ele afastava-a... pois... segundo dizia... Isadora era uma senhora...a noite foi correndo e Isadora já muito calma falando e dizendo que tinha necessidade de se sentir amada e não ser só a dona de casa a belíssima mãe e uma excelente anfitriã...... tentei desanuviar o ambiente e quando nos apercebemos eram 4 horas da manha.
João ainda não tinha regressado.
Quando me preparava para ir buscar um copo de água a chave rolou na fechadura dando entrada a um João admirado de me ver àquela hora e que não cheirava... trezandava a Paco Rabanne de senhora mais propriamente Eau de Callendre.......
Nada disse e nada fiz... dizendo somente que não me sentia muito bem e como estava sózinha pedi a Isadora que me deixasse ficar por ali.
Jão sorriu aliviado e ao ver a expressão sorridente de sua mulher dirigiu-se-lhe para lhe dar um beijo......
esta menina que vos fala... fingiu que tropeçou para ficar entre os dois... sabeis porquê, não é verdade?
É que se João beijasse Isa ela repararia no cheiro que impregnava João...
o rapaz compreendeu o meu gesto e numa tentativa carinhosa de agradecimento estendeu a mão para o meu rosto para fazer um carinho, rosto que delicadamente afastei......
João entendeu que eu houvera entendido...
e forçando um beijo disse-me ao ouvido:-obrigada lulu- nunca a deixes, por favor...
os meus olhos só não dispararam pois tinha-me esquecido de os carregar com as balas..
.continua...
Luisa

O BAÚ DE SEGREDOS DE ISADORA

continuação: romance
Pois bem vou retornar à minha história... ao levantar da tampa do baú de Isadora...
João Gilberto foi o músico que acompanhou sempre o romance de Isadora.
Sim, meus amigos... após a pequenina ajuda que eu e Mário demos ao querido Cupido, finalmente Isadora e João lentamente se começaram a distanciar um pouco do grupo.
Não na totalidade claro.
Eu era a sortuda pois era sempre requisitada por eles.
Por isso desde o início senti o enorme amor que Isadora tinha por João e que se percebia ser recíproco. Sentia a felicidade de Isadora, ria e brincava com ela... era feliz por ela...
Na altura (e agora um pouco de mim) lembro que no grupo havia um Dr. chamemos-lhe assim só, bastante mais velho que os restantes elementos por isso o tratávamos assim e que tinha uma "panca" enorme pela traquina que era esta vossa amiga.
E na altura esta vossa amiga era toda giraça, alta, nem gorda nem magra, bem para a altura que tinha, loura com os cabelos sempre curtos, moderna no vestir e portadora dos olhos que já conhecem e que cativaram aquele que viria a ser o meu marido lololo...
Já na altura possuidora de uma enorme sensibilidade, amiga do seu amigo, leal, directa e sempre verdadeira...(valores que meus Pais me passaram)...
Morava eu no prédio do Café Pao de Açucar que por acaso tinha uns croquetes deliciosos... as coisas de que me lembro ehheh!!!..... e quem não gosta de comer eheheh?...muito prazer, pois, acabei de me apresentar...
De porão da Nau para o cinema... do cinema para o Monte Carlo... assim o romance de Isadora ia seguindo lenta e suavemente, tão suave como ela era e ainda é.
Aconteceu a mútua apresentação aos respectivos pais e foi um namoro que agradou a todos.
Se na altura já só a Mãe (o pai estava ausente pelas áfricas) aceitou apreciando João, os Pais deste adoraram Isadora que desde cedo os começou a tratar por Pais.
E assim o tempo foi passando e eu vendo a harmonia, paixão e muito cuidado com que João tratava Isadora...
Mas... há sempre um mas...
Já com o casamento marcado... casa alugada e a ser mobilada, recebo um dia um telefonema de Isadora pedindo que a fosse buscar a casa dos Pais de João.
A sua voz estava um pouco trémula, mas decidida, pois assim é Isadora...
Sem saber o que se passava chemei aquele que se dizia meu namorado pedindo-lhe que fossemos buscar Isadora...
Já só no carro de Pedro (meu namorado) Isadora desabafou e deitando a cabeça no meu ombro disse muito baixinho: - acabou tudo Lu- só podia fazer isso... pois João tinha recebido um telefonema de alguém com quem tinha andado nos tempos da "guerra" e que dizia ter ter abortado de um filho dele...
Aqui começaram os verdadeiros problemas da minha querida amiga...pois se por um lado o casamento estava já marcado... por outro... Isadora tinha perdido parte da confiança pois João nada lhe houvera contado...
Tudo acabou por ser resolvido?!
E... por muitas súplicas de João e pelo grande amor que lhe tinha... Isadora perdoou, esqueceu...e casou... e como estava linda e eu orgulhosa de ser sua madrinha. Madrinha da mais bela e feliz noiva que em toda a minha vida vi...olhando para mim Isadora sorriu e a lagrimita surgiu...
continua...
Luisa

O BAÚ DE SEGREDOS DE ISADORA


continuação: amizade
Antes de continuar e seguir em frente com o que propuz fazer, quero deixar bem claro que Isadora não é fruto da minha imaginação, nem um nome dado a mim própria para falar de mim ou do que tem sido a minha vida.
No dia que o decida fazer di-lo-ei franca e abertamente, pois escrever é divino e deixar sair filhas nossas, palavras do nosso interior com verdade e sentimento é algo que efectivamente, por convenções, porque as pessoas se sintam acorrentadas à auto- censura, nem todos conseguem fazer.
O receio de se mostrar é imenso... pois a podridão que nos envolve é também enorme...
o que efectivamente se nota observando atentamente quem nos rodeia é que há pessoas com uma capacidade maior ou não, de fazer um jogo de cintura.e olhando à minha volta vejo que tudo continua igual... pois... as pessoas não fazem esforço para mudarem.
Crescemos juntas, os nossos Pais eram amigos, sei por tudo que Isadora passou, pois apesar da minha infância e adolescência terem sido maravilhosas, tendo tido tudo o que por acaso amei e ainda amo, mas se não amasse teria tido na mesma... e teria que aguentar... apesar disso, senti a mesma prisão dourada que minha amiga sentiu.
Mas... estou a entrar em mim e não foi isso por enquanto que me propuz fazer para vós...Isadora é a minha heroína... dela continuarei a falar.
E voltando um pouco atràs falemos no homem moreno e lindo que a partir daquele dia começou a ser presença constante na saudosa Copacabana (pastelaria que o nosso grupo frequentava)... e que situava bem pertinho da Praça de Londres...... e à força dos dias irem passando e da presença do enigmático companheiro de espaço...
Isadora acabou por dar conta e em segredo me confidenciar como era bonito e com um olhar de morrer aquele homem...... e acreditem que era...
Nada sabíamos dele.
Quem era... o que fazia... se era livre... ou não... enfim Isadora teria que aguardar o desenrolar dos acontecimentos...mas a postura de Isadora não lhe permitia nada dar a entender e teve que ser esta menina que vos escreve a ajudar um pouquinho o cupido... (já nessa altura eu tinha a mania de ajudar ... ai,ai,ai...) e em conversa franca com um amigo comum (meu e dele)- já os havia visto conversar animadamente - proporcionámos aquilo que ambos desejavam. - conhecerem-se - sim sei que o pudor hoje em dia é ridículo, mas estou a falar de umas jovens que nesta altura tinham por volta dos 20/21 anos.
Tudo era diferente... e muitos dos que me lêem sabem que assim é e... tu e tu amiga... terás sentido também essas grades douradas...
continua...
luisa

O BAÚ DE SEGREDOS DE ISADORA


1ª. parte - apresentação
Hoje dou início a mais um conto no qual a nossa heroína Isadora permitirá que por mim sejam narradas situações vividas onde seguramente muitos de nós nos veremos retratados.
É um conto sério, duro e real. Não ferirá em termos, sim talvez em atitudes.
E ao mesmo tempo é um chamado de atenção...
Isadora, uma mulher oriunda de famílias tradicionais, após uma infância feliz mas rigorosa, uma adolescência um pouco reprimida, é agora uma bióloga realizada profissionalmente.
O excesso de zelo de seus pais, não permitiu que Isadora tivesse o desabrochar normal da sua infância e adolescência.
O parecer mal... o... uma menina não faz ou diz... não permitiu que Isadora afirme, apesar do muito amor que sempre votou a seus pais já desaparecidos,ter sido verdadeiramente feliz.
Assim Isadora se transformou numa linda mulher, portadora de corpo esguio, dona de umas feições muito doces e de uns olhos azuis num bonito rosto emoldurado por uns revoltos cabelos ruivos que ela usa bastante curtos.
Isadora confidenciou-me um dia que nunca tinha amado e sido amada na sua verdadeira acepção da palavra.
Mas... há sempre um mas... um dia...
Isadora finalmente despertou para o amor.
No mesmo café que frequentávamos apareceu certo jovem de aspecto enigmático...Moreno... olhos negros e belíssimos, num rosto também muito belo. Elegante no porte e no vestir...
E eu pensei: ainda há belezas assim? Sim havia e estava sentado na mesa ao lado da que nós ocupámavos...
Absorta Isadora nem reparava que aquele morenaço a fitava insistentemente.
Isadora é assim mesmo... traquina... inocente... amiga... sonhadora... e sempre apaixonada pela vida...brincalhona...distraída todos os dias... mas portadora de um coração do tamanho do mundo...por onde passa a sua simpatia marca... o seu sorriso é doce, maroto e mostra uns dentes de uma perfeição extraordinária...por os amigos querida e desejada...distribui felicidade por onde passa...
Sim meus amigos assim é Isadora, amiga de longa data, minha confidente e companheira, tudo sabemos uma da outra desde os bancos de escola...
Foi, é e será a mulher (tirando minha Mãe) que mais admirei, admiro, respeito e respeitarei enquanto me chamar Luisa...
É o seu baú de segredos... a sua caixa de pandora... que vou começar a abrir......
lentamente a sua pesada tampa vai sendo por mim e com sua autorização levantada ...
continua...

quarta-feira, 25 de julho de 2007

PRIMEIRA BAILARINA


continuação: . a dor de Teresa...
e...antes de começar a sua narrativa, Teresa pediu licença com os seus delicados modos e dirigiu-se a uma divisão situada no fundo do corredor.
Calculei tratar-se do seu quarto.
Apareceu passados poucos minutos trazendo bem apertadinha contra o seu peito uma caixa de tamanho mediano.
A caixa forrada da mais fina seda azul e rosa estava atada com um lindo laço feito com uma fita nos mesmos tons e já ligeiramente envelhecida.
Com o seu ar sereno e tentando aparentar uma calma, que na realidade não sentia, sentou-se recostando-se no sofá.
Os seus belos olhos repentinamente mudaram para uma expressão de infinita dôr, solidão e aflição.
A sua respiração tornou-se ofegante e lentamente cerrou os olhos para de seguida os abrir e fixar no esboço de Serge.
E, sem o desfitar, uma lágrima rolou.
A minha vontade foi aproximar-me e dar-lhe o mais carinhoso abraço, mas respeitei o seu silêncio e a sensação que tive de um diálogo mental entre ela e Serge...
... e dúvidas não tinha... pois sentiu-se de repente naquela bela sala algo que não pertencia ali... e apesar do ligeiro arrepio atrevi-me a olhar Serge e a sensação que me sorriu foi de tal maneira forte que o arrepio aumentou dando depois lugar à maior sensação de Paz interior... e no meio desta comunhão de sentimentos, tipo flash vi, sim... vi... o sorriso do meu amado e que lado a lado com Serge nos olhavam protegendo com esse olhar...
mas foi mesmo um breve flash... medo?... sonho?... sugestão?...realidade?... ainda hoje o não sei... só recordo a verdade do momento...
Já calma aguardei serenamente que Teresa falasse...
A sua voz era arrastada e de um timbre melodioso......
- creio que não haja exercício mais difícil nesta vida do que conviver aceitando as diferenças e administrar os conflitos...... sem a convivência tornamos-nos como que sem propósito.
Tudo o que fazemos tem um objetivo: sermos reconhecidos e amados.É também na convivência que reside o nosso maior desafio, o mais intrigante aprendizado, a que nos submetemos do primeiro ao último suspiro......é quando todos os nossos sentimentos - um a um – vão aflorando......e... após o choque frontal entre mim e Serge, algo explodiu e comecei a reparar que Serge me olhava de maneira diferente... me tocava na cintura muito docemente quando me corrigia num passo...... até que um dia aproveitando um exercício que fazíamos juntos e no qual ele se encontrava atràs de mim segurando com as duas mãos a minha cintura para me elevar, segredou ao meu ouvido:
- és linda Teresa......e tocas piano como os deuses...
sem desviar a minha cabeça e continuando a dançar com Serge respondi com toda a minha verdade:...
-quando toco penso em ti... só isso... e vejo-te a dançar...e aproximando mais a sua cabeça da minha disse ao mesmo tempo que os seus lábios afloraram o lóbulo da minha orelha:
-amo-te Teresa...e o bailado surgiu belo, suave... jamais desde que iniciara o meu curso me conseguira elevar daquela maneira... e sorrindo, saltando de e para os seus braços dançámos, dançámos e só parámos com o som das palmas quer dos colegas quer dos professores e... minha professora de piano que se encontrava também chegou perto de mim e... dando-me um beijo segredou:
- era esse o jovem que te deixou as margaridas e assistiu à tua aula...
Como ele te ama, querida Teresa...
E no meio de danças, ensaios, actuações unimos as nossas vidas, pois o amor que fazíamos quando dançávamos era tanto que já não dava para aguentar mais o nosso desejo de nos termos um ao outro...e tivemos... loucamente, suavemente furiosamente as nossas bocas procuraram-se, e o beijo surgiu de tal maneira que os nossos corpos rolaram pelo chão perdendo a noção do que se ia desenrolando.
E o amor aconteceu pleno de sensações, no meio da imensa excitação e desejo que sentíamos...... e assim foi sendo sempre... durante os espectáculos os nossos bailados eram um acto de amor o que punha sempre a plateia aplaudindo de pé......
e assim... surgiu Maria...linda... era a cara do Pai... meiga, doce e que já se começara a iniciar dando os primeiros passinhos acompanhada pelo cuidadoso Serge....
mas porque Maria precisa de mim a tempo inteiro decidimos que me afastaria dando o último espectáculo no teatro que diariamente eu fixava na esplanada da sala de chá onde me dirijo....Iria terminar com o bailado "A morte do Cisne"... Serge me acompanharia na minha despedida...
Nunca como nesse dia tivera tanto cuidado a preparar-me no camarim.
Foi anunciado publicamente o meu afastamento e a minha presença foi exigida pelo público que me chama de pé.
Dirigi-me à boca de cena e numa graciosa vénia agradeci. A meu lado surge Serge com um lindo ramo de rosas... e... destacando uma depositou um suave beijo e entregou-ma... e depois de a beijar segurei-a docemente de encontro ao meu coração...um espinho feriu-me fazendo com que estremecesse sentindo um ligeiro arrepio pelo corpo todo...
Começou o espectáculo....quando eu entrava só ou com o corpo de bailado Serge espreitava segurando ternamente pela mão a doce Maria que extasiada via a sua Mama dançar...
...final do bailado... o cisne inicia os lentos movimentos de agonia anunciando a sua breve morte...e... em todo o teatro ecoa um enorme estrondo... não parando a minha agonia esperava a entrada do meu príncepe...e dançando o esperei e dançando sem ele morri em cena...
palmas... ovações...
eu... muito lentamente fui-me deslocando para tràs permitindo que o corpo de baile me tapasse... depois louca corri e......
Serge e Maria jaziam no chão numa amálgama de fios e do enorme cenário que inexplicavelmente se houvera solto...
parei... maria abraçada a Serge sorria já sem vida... Serge... o meu amor sem vida protegia o corpinho de Maria com o seu...... os meus amores... os meus dois amores tinham partido abraçados... e eu dançava......
um enorme silêncio pesou na sala e... lentamente Teresa abrindo a caixa retirou de dentro o fato de Serge onde se via uma enorme mancha de sangue, as sapatilhas e...o fatinho com que a pequena Maria andava sempre no teatro... o seu pequenino e primeito toutout clássico...e... pela primeira vez em sua vida, naquele momento, Maria sentiu toda a impotência do mundo.
E... docemente... levantando-se tirou do colo de Maria os fatos e sapatilhas... dobrou-os com infinito cuidado guardando-os na caixa que atou com imenso amor...... o silêncio continuava e Maria olhando Teresa viu que ela sorria para Serge...... finalmente baixou-se para depositar na testa de Teresa um doce beijo...
mas... Teresa não o retribuiu...Sorrindo como a sua Maria e o seu Serge Teresa tinha partido ao seu encontro...
Tentando segurar as lágrimas Maria dirigiu-se à mesa e retirando a rosa do livro, colocou-a na linda mão já sem vida de Teresa...
Teresa finalmente repousava da sua dor......e para sempre junto de quem mais tinha amado.
Por influência de Maria Alexandra no dia imediato ao funeral de Teresa o Teatro foi mandado deitar abaixo...
Era o mínimo que Maria Alexandra poderia fazer por Teresa.
E... diariamente Maria Alexandra se sentava na mesma cadeira, da mesma mesa, da mesma esplanada olhando um novo teatro que se levantava esplendoroso - O TEATRO "MARIA TERESA SERGE". onde se via unicamente junto ao nome uma linda rosa seca...
FIM
luisa moreira

PRIMEIRA BAILARINA


Continuação : partilhas mútuas
E Teresa continua a sua narração.
Maria expectante escuta-a com todos os seus sentidos bem apurados e permitindo que uma enorme comoção tomasse conta dela pois as nuances expressivas no rosto de Teresa eram um espectáculo quase tão belo como terão sido aqueles em que deslizava nos palcos dançando......
- pode imaginar querida Maria o que senti ao contemplar o ramo de margaridas?quem seria... Serge? oh! sonho meu! não impossível...sou uma garota... ele só repara em mim quando danço e para me corrigir qualquer passo menos perfeito... puro olhar profissional...
-quem seria então o rapazinho que a escutou na sua aula de piano? pergunta Maria...
-minha querida não faço a mínima ideia...
-fui correndo até à porta da aula de ballet e quase bati de frente com Serge que acabara de entrar... deixando cair o ramo de margaridas...
com delicadeza Serge baixou-se apanhando o meu ramo e sorrindo entregou-mo dando-me passagem...
as minhas pernas tremiam, pois por breves minutos sentira-o bem perto de mim.
O meu corpo começara já a sentir-se um corpo de mulher e não de menininha... entende-me, Maria?
-claro que sim... e... estou a recordar algo de belo que aconteceu comigo...
-Teresa ? - descupe Maria ponho-me para aqui a falar do meu passado e esqueço que notei em si também uma enorme necessidade de partilhar algo que a oprime... estou enganada?
- não, querida Teresa, não está...
e Maria unindo as suas mãos num gesto nervoso mostrando uma expressão de imensa tristeza e solidão permitiu que uma lagrimita rolasse pelo lindo rosto e sem se importar disse na mais triste e solitária voz:
-estou cansada Teresa, cansada de tanto dar e nada receber... cansada de ser dócil, mas determinada, meiga, amiga de ajudar, apaixonada pondo paixão em tudo o que faço, e em nada ter retribuição... pergunto-me se valerá a pena ser assim...pois ainda se divertem, procuram ferir usando as coisas mais idiotas e de grande mas negativa criatividade... mas se pensam que sou pateta - isso não o sou.
Entendo muito bem... só que se por vezes deixo passar outras não e depois firo e magoo em minha defesa.
-isso é natural querida Maria, pois infelizmente estamos num mundo cão e uma pessoa com a sua classe natural, o seu carisma, as suas potencialidades aliado à sua beleza interior, exterior e inteligência é sempre um alvo para os fracassados, frustados e de índole malévola...não se importe, pois, de ser como é, pois é linda...
-quem a feriu, minha querida? Fernando? pergunta Teresa?
-oh... esse fere-me sempre que abre a boca pos isso estou determinada a acabar com esta relação que já nada me diz... mas... não... Fernando nada tem a ver ...
-posso contar-lhe Teresa... sem que se sinta incomodada ?...
- minha querida, somos ambas mulheres, que amamos a vida e o amor... fale tranquila pois muito amei e se algo compreendo bem são os meandros do coração...respirando fundo Maria, pegando numa chávena bebeu um ligeiro golo de chá e fixando os ainda belíssimos olhos de teresa recostou-se no sofá deixando repousar a sua cabeça um pouco dorida...e ainda antes de iniciar sorriu e a sua expressão irradiava tamanha luz que senti o ambiente iluminado...
Como deve ter amado e sofrido esta menininha... pensou Teresa que, recostando o seu corpo no sofá se preparou para escutar atenta o que Maria ia começar a narrar...
continua...

PRIMEIRA BAILARINA


continuação:- confidências
-sabe Maria? Quando iniciei os meus estudos de ballet, no conservatório conheci Serge.
Um belo jovem, filho de franceses radicados agora em Portugal, de porte elegante e com uma postura que se percebia ser um colega de curso, embora já mais avançado….
e…eu…uma menininha ainda…
mas os meus olhos já não deixaram de seguir Serge sempre que ele por mim passava nos corredores do conservatório e em mim mal reparava…
mas… certo dia… por doença da professora, e para minha grande alegria foi Serge que veio dar a aula…
com a máxima atenção executei todos os exercícios que ele ia mandando que fizéssemos.
A sua elegância, delicadeza nas indicações e correcções ainda mais forte me fazia bater o coração… a sua voz ... forte, doce e musical...… e enlevada não conseguia tirar os olhos daquela figura esbelta que rodopiava e saltitava na nossa frente…na altura tinha eu 16 anos e Serge tinha mais 10 do que eu.
Como repararia em mim ?
Chegou finalmente o dia do meu aniversário.
Era um dia normal no conservatório.
Entrei sem reparar quem se encontrava no átrio pois já ia ligeiramente atrasada para a minha aula de piano e madamme não admitia atrasos.
Sentia-me bonita.
Sentia-me feliz e entrando na sala dirigi-me ao piano.
Madamme já me aguardava e estranhamente nesse dia estava sorridente. Iniciando a minha aula não reparei que num canto da sala se encontrava alguém muito atento e que silenciosamente me observava.
E… pensando em Serge toquei como nunca houvera tocado.
E os sons do estudo de Chopin que madamme me pedira que tocasse, ecoaram melodiosos por toda a sala…
A carinhosa mão de madamme pousou suavemente no meu ombro encentivando-me a que continuasse e ao levantar os olhos do teclado reparei que em cima da cauda do piano se encontrava um lindo ramo de margaridas.
A sua simplicidade transformava-o no mais fino bouquet. Sorri para madamme pensando serem dela e… as minhas mãos continuaram deslizando no teclado enquanto o meu pensamento estava centrado na figura de Serge dançando… mal podia eu imaginar que cheio de enlevo ele… no canto da sala… me escutava …
Acabada a aula e quando iniciava a corrida para a sala de ballet, madamme chamou e dando-me um beijo entregou-me as flores:
- são para ti, vieram trazer…
- para mim?…- -sim querida, um jovem deixou ficar tendo-me pedido que o deixasse assistir à tua aula…
- …?- …
- como?… quem?…
- …- não conheço, mas meu aluno não é...
continua...

PRIMEIRA BAILARINA


continuação - confiança
Maria continuava, tentando estar calma, à espera que Teresa iniciasse a narrativa... será que falaria?...
Como que para a encorajar pousou nas mãos de Teresa que ainda seguravam as suas, um respeitador e suave beijo.
No rosto de Teresa esboçou-se um ligeiro sorriso... e... confiante... falou...
-Maria desde bem menina o meu grande sonho foi ser bailarina. Pela casa de meus Pais em vez de correr eu saltitava pequenos passos, sem o saber, claro, de dança...minha Mãe, de rigorosa educação mas de refinado gosto, cedo me arranjou uma professora de piano.
Eu gostava... mas... não era o que eu queria efectivamente... obediente que era fui aprendendo e fazendo os meus exames e quando me apercebi já dava os meus primeiros concertos....
mas minha mãe cedo percebeu que o meu rosto estava triste... algo me faltava... e não fôra minha mestre madamme Ivette... jamais teria dado os primeiros passos de dança...imagina querida Maria o que senti?
os ensinamentos, o trabalho na barra, a colocação das mãos- e soltando a minha mão estendeu a sua demonstrando a elegância dos suas longas e bonitas mãos, a delicadeza da posição dos seus dedos lindos e esguios...
apetecia-me falar... mas não queria interromper a sua narração pois a sua voz de comovida percebia-se que tão cedo não pararia ...
e na sua voz doce e quente Teresa continuoue falou dos seus primeiros passos, das suas primeiras sapatilhas... do seu primeiro espectáculo... do seu primeiro toutout clássico...
e levantando-se saiu da sala para voltar mostrando já bem velhinho o pequeno fato de bailarina...
Maria estava comovida, pois... como era possível guardar-se durante tantos anos sem que se rompesse uma peça tão frágil?...
percebendo a comoção de Maria, Teresa perguntou se, tinha sentido o chamamento da música e do ballet, porque não tinha seguido?
sorrindo tristemente, Maria disse que seus pais nunca lhe poderiam ter dado essa educação pois não eram pessoas de posses... tiveram sim que se cingir a um curso que, pudesse dar garantias de sobrevivência a sua filha.
Assim surgiu a Engenharia.
Maria era hoje uma respeitada e requisitada engenheira.
Teresa acariciou docemente o rostinho triste de Maria lembrando que se sua filha estivesse ainda com ela teria a sua idade.
Com verdadeira ternura e sentindo muita saudade de sua mãe abraçou fortemente Teresa.
-mais um pouco de chá? perguntou Teresa
-sim, por favor...
interromperam o tema para falar das flores, do seu grande amor às orquídeas, do seu perfume preferido... dos amores e desamores de cada uma...
com curiosidade Teresa perguntou: disse que estava noiva, certo? é para breve o casamento?
Maria fixou o seu olhar no esboço que se encontrava pendurado na parede e sem o desfitar e com o seu ar determinado respondeu baixinho
- nem sei se haverá casamento, pois o meu noivado foi uma ilusão.
Fernando mostrara-se um ser egoista, prepotente, ciumento (Maria era efectivamente uma linda mulher), não permitindo que ela tivesse o seu espaço...e Maria era demasiado livre para ser colocada num cerco ou numa redoma...
baixando a cabeça Teresa disse num ligeiro sussurro... eu amei tanto e tanto fui amada...
levantando em seguida a cabeça fixou o seu olhar no esboço onde se via um belíssimo rosto de homem...
continua...

PRIMEIRA BAILARINA

continuação: o levantar do véu...

Maria Alexandra manteve-se ainda por breves minutos com os seus olhos fechados entregando-se aos acordes agora mais altos e mais rápidos do Bolero de Ravel...

Um ligeiro ruído que lhe pareceu algo a rodar no corredor fê-la abrir os olhos e empurrando um carrinho de chá Teresa aproximava-se da sala mantendo aquele sorriso misterioso...

solícita Maria Alexandra ofereceu ajuda e agora sentadas frente a frente, tendo somente entre elas o carro de chá,não ricamente recheado, mas deliciosamente requintado, nas chávenas sec XVII, nos scones acabados de fazer e no delicioso chá de framboesa e mirtilhos... e sentando-se...Teresa finalmente sorriu abertamente...

Vi com agrado que apreciou Ravel disse Teresa.

Sim, sim, adoro Ravel e então este Bolero todo ele cheio de nuances fabulosas prende-me desde o seu início. E digo-lhe Teresa a música e o bailado para mim são uma paixão não concretizada.

Permite-me, sem tentar entrar nos seus silêncios, que lhe faça uma pergunta?

-claro Maria Alexandra... força... disse sorrindo...
- aquelas sapatilhas de pontas são suas?
-sim...são minhas... com elas...

pousou a chávena pois a sua mão tremia e delicadamente limpou uma pequena lágrima que se começara a formar nos seus belos olhos......
pedindo desculpa Maria Alexandra calou-se tentando mudar de assunto sem que nenhum tema diferente despontasse no seu cérebro...... deliciosos scones... disse Maria Alexandra e este chá... é a poção dos Deuses...

dando uma gargalhada Teresa aliviou a enorme atrapalhação de Maria Alexandra...

-não fique aflita, querida Maria, posso tratá-la assim?
-claro, respondeu Alexandra...

dirigindo-se à mesa redonda Teresa trouxe com ela a moldura onde se encontrava a foto de uma criança.
Sentando-se novamente serviu mais um pouco de chá e fazendo com que Maria olhasse o esboço masculino na parede Teresa disse com a voz mais doce, terna e de uma melancolia sem limites:

Aquele, Maria... era o meu adorado marido e companheiro... esta criança que sorri era Maria, minha filha... ambos retirados da minha vida num brutal acidente...
-não faça essa cara tristinha, querida Maria, sei que estão bem, partiram juntos e abraçados...

o ar começara a faltar-me pois de tentar reter o choro não conseguia quase respirar...

docemente Teresa acalmou-me e, sentando-se a meu lado pegou na minha mão...
e de tal maneira suaves e belas eram que eu mesmo sem querer deixei sair: -lindas - mãos de bailarina!...

percebi que Teresa necessitava abrir o seu baú de recordações... bastou para isso que surgisse uma outra Maria...

e... tentando manter-me tranquila, aguardei o desenrolar do que seguramente iria ser a mais bela história de amor, felicidade e dôr que alguma vez meus ouvidos tiveram o prazer de escutar...

continua

PRIMEIRA BAILARINA

continuação


Teresa era efectivamente uma excelente companhia e os temas escolhidos na conversa que ia rolando sem nos darmos conta eram demais interessantes.

A convite de Teresa que não pude recusar, no final da minha tarde de trabalho passei por sua casa.

Não, sem antes me ter dirigido a uma florista e comprado as mais belas flores silvestres que consegui encontrar calculando que as apreciaria.

Após 3 lances de escadas subidos calmamente toquei na antiga campaínha em latão prodigiosamente brilhante. Sorridente Teresa abriu a porta.

Com um ligeiro gesto indicou-me a sala e segurando no ramo que eu levara convidou-me a sentar.

Apreciei o que se encontrava à minha volta...
Os sofás um pouco gastos mostravam ainda a sua beleza e o requintado gosto de quem os escolhera...
Uma mesa redonda num dos cantos da sala, tapada com uma lindíssima camilha dava ao ambiente um toque de Belle Époque. Sobre esta, artisticamente colocadas as caixas, as molduras todas contendo fotos de uma bailarina, um livro com uma rosa já seca em cima. A foto de uma criança e um lindo vaso com umas deliciosas orquídeas. Todo o conjunto me mostrava que aquela casa era habitada por alguém de uma enorme sensibilidade.
Continuando a percorrer a sala com os olhos reparo que num outro canto se encontrava um piano aberto com uma pauta musical colocada no seu suporte.

Nas paredes uma profusão de quadros onde se destacava um esboço de uma figura masculina, pinturas a óleo, bailarinas dançando.
Por baixo uma chaise longue coberta de almofadas convidava a preguiçar. Junto às almofadas as sapatilhas de pontas em tom rosa debotado ... pelo uso... mas que carinhosamente repousavam...

Como me senti transportada... o aroma da casa adocicado sem ser enjoativo, a belíssima colecção de flores, toda a decoração me fez fechar os olhos tentando imaginar o que teria sido a vida de Teresa...

Num tom baixo ouvia-se os sons de Ravel no seu incomparável Bolero...recostando-me no sofá escutei mantendo os meus olhos fechados...




continua...

















PRIMEIRA BAILARINA - CONTO

CONTO - 1º. Parte-


Recordações

Na calma e tranquila esplanada sentada a uma mesa e indiferente a tudo o que a rodeava, uma mulher já não muito nova, mas de traços muito doces, notando-se ainda a sua beleza beberricava lentamente o seu chá.
As suas mãos eram suavemente belas e elegantes...
A sua cabeça de porte altivo, mas de uma simplicidade encantadora mantinha-se bem levantada...
Os seus olhos transpareciam uma expressão da mais verdadeira ternura.
O seu olhar estava fixo no mesmo ponto.
Duas mesas afastadas eu observava a elegância, o porte, e a infinita melancolia que envolvia o espaço ocupado por Teresa.
Teresa era o seu nome e pelo tratamento do empregado percebi ser cliente assídua e que aquele lugar na esplanada era quase propriredade privada.
E de tal maneira o seu olhar era intenso que curiosa segui o seu trajecto .
Do lado de lá da avenida situava-se o Teatro(agora abandonado) que outrora tinha sido a mais bela sala de espectáculos desta cidade.
De distraída Teresa não percebera que do seu colo tinha escorregado a sua fina écharpe de seda.Levantando-me apanhei-a e entreguei-lha.
Sorriu, agradeceu e perguntou se me queria sentar a seu lado.
Fiz sinal ao empregado para que colocasse na mesa de Teresa o meu refresco.
Permita-me que me apresente, disse eu: Sou Maria Alexandra, engenheira e trabalho nesta empresa aqui em frente disse apontando com a cabeça o prédio onde se situava o meu gabinete.
Teresa, muito prazer, sem ocupação, vivendo de recordações... a minha casa fica já aqui um pouco abaixo...
Suavemente me perguntou: casada?Sorrindo respondi: ainda não, estou noiva...
Que bom... disse Teresa...
e este pequeno diálogo deu lugar a uma conversa interessante em que me falou de sua casa, das suas flores que muito amava (sua única companhia) dos seus chás tomadas nesta esplanada...
falei um pouco de mim, do que gostava, onde morava e o que fazia...
sorriu e verifiquei que o seu sorriso era lindo e suave como ela mas de uma tristeza imensa...
continua...
:)

POESIA


Por vezes surge poesia...

pensa-se em algo e a vontade de deitar para fora o que se vai formando na mente absorve-nos e ao juntar, unir, sai... poesia...


OS TEUS OLHOS TRISTES SÃO

Tanta tristeza se vê
nesses teus olhos distantes
é como se a cada momento
te viesse ao pensamento
teu amor e teu tormento


Tudo aquilo que pensaste
e com ânsia desejaste
foi somente um sonho belo
e no qual acreditaste


Mas assim te magoou
pois de um sonho se tratou
e triste e só tu ficaste
e nesses olhos tão lindos
só a solidão ficou!
(grav e registados)
Lu


AMOR



E porque amo... o amor...

e o sinto presente

não me canso...e...

no meio do desamor,

falar de amor... um encanto...



infinito amor...sentimentos puros...

que desejo ter que preciso tanto...

como a água de beber...

surge de repente

brinca com a gente

como a branca espuma

brinca com o mar...



espuma na qual me deito...

onde não sinto despeito

e sim a ternura chegar...

são reflexos do amor

aquele que temos para dar...



amor... quando tocas...

pões magia pões ternura...

dás alegria...transformas o dia-a-dia

na mais linda fantasia...

e de tanto te amar...amor...

falo de ti sem cansar

falo de ti...com fervor...Amor...





Luisa

A PALMEIRA E O COCO


Hoje em meus sonhos...

naveguei... por um oásis de amor...encontrando em seu esplendor...

uma palmeira encantada...


na sua grandeza ela é a mais bela de entre todas......e guarda nas suas raízes...a mais bela Lua prateada...


na sua bela nudez e no ponto mais alto vê-se um pequeno coco... um belo fruto tenro e frágil.


Todos os dias ao nascer da aurora o vento a faz abanar pressagiando com os seus murmúrios que o coco há-de cair...


não se compreende como ela não o agarra bem e lhe permite a queda sabendo não só que lhe provocará dor, bem como, com a queda, o pequeno e frágil côco se ferirá...

ela encontra-se com uma enorme contradição...o coco aceita... sem entender... o motivo da queda...pois... a queda... vai provocar não só a sua solidão como com a batida que será dura todo o delicioso suco deste belo fruto verterá...e...na penumbra... a palmeira sua nostalgia chorará...


o coco... em outras mãos acabará...


cair e levantar...cair e ser levantado...cair... mas sem destino marcado!


Esta noite em meus sonhos...esta palmeira vi...


esta noite sonhando...senti...

quantos pequenos e frágeis cocos que se gostam de fazer já fortes...receiam apavorados... a queda... que seguramente darão e muito os irá fazer sofrer e rasgar.


Hoje...


sonhei...


Luisa

AROMA DE PINHO


Essência de verde, de aroma a pinho...

do ar da montanha...

de uma cascata de palavras...

do brincar com elas, sabendo onde colocá-las...

de passear e sentir...

da tua amizade...do som dos teus sonhos...

dos choros evaporados... os sorrisos cúmplices e a tristeza das árvores cortadas... queimadas...e... algures na floresta caladas...

...repousam as palavras não ditas...

as que não saem e muitas vezes queríamos dizer...

as essências das flores bailam ao som do vento, cantam e ao escutar o teu sorriso,

despertam e dão-te força a retomar a marcha...

por mais que essa árvore se perca na espessura da floresta...

que nos desorientemos sem bússula... essa árvore está lá ...

por vezes se chama sol... podes também chamar-lhe mar... areia ou vento... ou núvem... temporal... deserto... ou

...em cada um dos seus ramos se encontra a árvora da vida, e caminhando vamos encontrar as suas raízes tentando dar sentido aos nossos altos e baixos... Viver


Luisa

UM FINAL DE TARDE QUENTE



Depois de um dia demuito calor e sempre bem disposta, fui até à beira mar.

Sentei numa esplanada. Pedi um sumo bem geladinho. O sol estava radioso, o mar prateado convidava ao mergulho.


Pensei: que belo sítio para analisar situações vividas durante o dia.
Para pensar nos teatrinhos das pessoas que nos rodeiam, nas mentes tortuosas e maquiavélicas, na necessidade de certas pessoas em criticar, falar mal, mentir.
Porque teima o ser humano em ver um cisquinho num olho alheio e não consegue ver o pedregulho que tem nos seus.
O sol é bonito, o mar tranquiliza
Tudo se esquece!


De Meus pensamentos Luisa Moreira
..(gravados e registados)

Um Minuto de Felicidade



Um minuto de Felicidade


Meu Deus! Um minuto inteiro de felicidade!
Não basta isso para preencher a vida de um homem?
Dostoievsky escreve esta maravilhosa frase na sua obra “Noites Brancas” e eu atrevo-me a pegar nela e desenvolver o tema.


Foi-me lançado este repto e eu gosto de desafios. Não tentar competir com este imenso e grande Senhor da escrita, sim tomar real conhecimento das minhas capacidades.


Um minuto de felicidade! Como seria bom sentir que tive esse minuto. Como me sentiria se o tivesse vivido!
Um minuto, 60 “ de inteira felicidade seria algo bom para recordar.


Um minuto de felicidade! Como esse ínfimo tempo taparia tantas lacunas! Como esse minuto aconchegava, aquecia!


Um minuto!? Afirmarão e ou perguntarão os mais incrédulos.
Um minuto?


Num minuto pode-se nascer!
Num minuto crescemos um pouco!
Num minuto acariciamos!
Num minuto aplaudimos!
Num minuto castigamos!
Num minuto nos podemos suicidar e num minuto morremos!
Num minuto amamos com a mesma intensidade que poderemos odiar.
Num minuto corremos para o avião e, no mesmo minuto o perdemos!
Num minuto pensamos que encontrámos algo e no minuto seguinte sentimos que o perdemos!
Num minuto dizemos olá!
Num minuto nos despedimos!
Num minuto rimos, e noutro choramos!
Como um minuto é importante!
Num minuto de felicidade passamos a sentir tristeza!
Num minuto estendemos mão amiga!


Como seria maravilhoso ter um minuto para recordar e não horas de infinita tristeza pra tentar esquecer!
E como o tempo de duração de um inuto são 60 segundos, nesses segundos, nesse minutos poderemos dizer: QUERO-TE!


E neste minuto fizemos o que queríamos. Dissemos o que sentíamos!
Nesse maravilhoso minuto, com as minhas palavras, dei carinho, dei-o e recebi!


Um minuto de Felicidade!


De Meus pensamentos Luisa Moreira
..(gravados e registados)

Bem Vindos


Escrever é uma das paixões da minha vida.

Juntar, unir, jogar com as palavras, rolar e enrolar-me nelas vão fazendo parte do meu dia-a-dia e começo a dar-me conta que não consigo passar sem permitir que os meus dedos escorreguem pelo teclado.

Algo que me faz bem, que me faz muitas vezes esquecer coisas que se recusam a partir da minha mente.

Aqui virei...
pois...

sou...

estou...

são...
coisas minhas...

e para vos receber ninguém melhor que:

http://www.youtube.com/watch?v=Tu9HPz__3ys