
Continuação : partilhas mútuas
E Teresa continua a sua narração.
Maria expectante escuta-a com todos os seus sentidos bem apurados e permitindo que uma enorme comoção tomasse conta dela pois as nuances expressivas no rosto de Teresa eram um espectáculo quase tão belo como terão sido aqueles em que deslizava nos palcos dançando......
- pode imaginar querida Maria o que senti ao contemplar o ramo de margaridas?quem seria... Serge? oh! sonho meu! não impossível...sou uma garota... ele só repara em mim quando danço e para me corrigir qualquer passo menos perfeito... puro olhar profissional...
-quem seria então o rapazinho que a escutou na sua aula de piano? pergunta Maria...
-minha querida não faço a mínima ideia...
-fui correndo até à porta da aula de ballet e quase bati de frente com Serge que acabara de entrar... deixando cair o ramo de margaridas...
com delicadeza Serge baixou-se apanhando o meu ramo e sorrindo entregou-mo dando-me passagem...
as minhas pernas tremiam, pois por breves minutos sentira-o bem perto de mim.
O meu corpo começara já a sentir-se um corpo de mulher e não de menininha... entende-me, Maria?
-claro que sim... e... estou a recordar algo de belo que aconteceu comigo...
-Teresa ? - descupe Maria ponho-me para aqui a falar do meu passado e esqueço que notei em si também uma enorme necessidade de partilhar algo que a oprime... estou enganada?
- não, querida Teresa, não está...
e Maria unindo as suas mãos num gesto nervoso mostrando uma expressão de imensa tristeza e solidão permitiu que uma lagrimita rolasse pelo lindo rosto e sem se importar disse na mais triste e solitária voz:
-estou cansada Teresa, cansada de tanto dar e nada receber... cansada de ser dócil, mas determinada, meiga, amiga de ajudar, apaixonada pondo paixão em tudo o que faço, e em nada ter retribuição... pergunto-me se valerá a pena ser assim...pois ainda se divertem, procuram ferir usando as coisas mais idiotas e de grande mas negativa criatividade... mas se pensam que sou pateta - isso não o sou.
Entendo muito bem... só que se por vezes deixo passar outras não e depois firo e magoo em minha defesa.
-isso é natural querida Maria, pois infelizmente estamos num mundo cão e uma pessoa com a sua classe natural, o seu carisma, as suas potencialidades aliado à sua beleza interior, exterior e inteligência é sempre um alvo para os fracassados, frustados e de índole malévola...não se importe, pois, de ser como é, pois é linda...
-quem a feriu, minha querida? Fernando? pergunta Teresa?
-oh... esse fere-me sempre que abre a boca pos isso estou determinada a acabar com esta relação que já nada me diz... mas... não... Fernando nada tem a ver ...
-posso contar-lhe Teresa... sem que se sinta incomodada ?...
- minha querida, somos ambas mulheres, que amamos a vida e o amor... fale tranquila pois muito amei e se algo compreendo bem são os meandros do coração...respirando fundo Maria, pegando numa chávena bebeu um ligeiro golo de chá e fixando os ainda belíssimos olhos de teresa recostou-se no sofá deixando repousar a sua cabeça um pouco dorida...e ainda antes de iniciar sorriu e a sua expressão irradiava tamanha luz que senti o ambiente iluminado...
Como deve ter amado e sofrido esta menininha... pensou Teresa que, recostando o seu corpo no sofá se preparou para escutar atenta o que Maria ia começar a narrar...
continua...
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