continuação: o levantar do véu...Maria Alexandra manteve-se ainda por breves minutos com os seus olhos fechados entregando-se aos acordes agora mais altos e mais rápidos do Bolero de Ravel...
Um ligeiro ruído que lhe pareceu algo a rodar no corredor fê-la abrir os olhos e empurrando um carrinho de chá Teresa aproximava-se da sala mantendo aquele sorriso misterioso...
solícita Maria Alexandra ofereceu ajuda e agora sentadas frente a frente, tendo somente entre elas o carro de chá,não ricamente recheado, mas deliciosamente requintado, nas chávenas sec XVII, nos scones acabados de fazer e no delicioso chá de framboesa e mirtilhos... e sentando-se...Teresa finalmente sorriu abertamente...
Vi com agrado que apreciou Ravel disse Teresa.
Sim, sim, adoro Ravel e então este Bolero todo ele cheio de nuances fabulosas prende-me desde o seu início. E digo-lhe Teresa a música e o bailado para mim são uma paixão não concretizada.
Permite-me, sem tentar entrar nos seus silêncios, que lhe faça uma pergunta?
-claro Maria Alexandra... força... disse sorrindo...
- aquelas sapatilhas de pontas são suas?
-sim...são minhas... com elas...
pousou a chávena pois a sua mão tremia e delicadamente limpou uma pequena lágrima que se começara a formar nos seus belos olhos......
pedindo desculpa Maria Alexandra calou-se tentando mudar de assunto sem que nenhum tema diferente despontasse no seu cérebro...... deliciosos scones... disse Maria Alexandra e este chá... é a poção dos Deuses...
dando uma gargalhada Teresa aliviou a enorme atrapalhação de Maria Alexandra...
-não fique aflita, querida Maria, posso tratá-la assim?
-claro, respondeu Alexandra...
dirigindo-se à mesa redonda Teresa trouxe com ela a moldura onde se encontrava a foto de uma criança.
Sentando-se novamente serviu mais um pouco de chá e fazendo com que Maria olhasse o esboço masculino na parede Teresa disse com a voz mais doce, terna e de uma melancolia sem limites:
Aquele, Maria... era o meu adorado marido e companheiro... esta criança que sorri era Maria, minha filha... ambos retirados da minha vida num brutal acidente...
-não faça essa cara tristinha, querida Maria, sei que estão bem, partiram juntos e abraçados...
o ar começara a faltar-me pois de tentar reter o choro não conseguia quase respirar...
docemente Teresa acalmou-me e, sentando-se a meu lado pegou na minha mão...
e de tal maneira suaves e belas eram que eu mesmo sem querer deixei sair: -lindas - mãos de bailarina!...
percebi que Teresa necessitava abrir o seu baú de recordações... bastou para isso que surgisse uma outra Maria...
e... tentando manter-me tranquila, aguardei o desenrolar do que seguramente iria ser a mais bela história de amor, felicidade e dôr que alguma vez meus ouvidos tiveram o prazer de escutar...
continua
2 comentários:
Que história doce... pena parar... com tanto pormenor arrasta-nos para conhecermos a Teresa, parece q estamos lá. Espero o desenrolar da História... q remédio! Beijiiiinhos
pois é... lindinha...
já está toda a história... é só leres...
Obrigada
Bjocas
Lu
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